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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Poesia matemática

Às folhas tantas do livro matemático, um Quociente apaixonou-se, um dia, doidamente por uma Incógnita. 


Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a do ápice à base uma figura ímpar; olhos rombóides, boca trapezóide, corpo retangular, seios esferoides.


Fez de sua uma vida paralela à dela até que se encontratram no Infinito.

"Quem és tu?", indagou ele em ânsia radical.

"Sou a soma dos quadrados dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram (o que em artimética corresponde a almas gêmeas) primos entre si.

E assim se amaram  ao quadrado da velocidade da luz num sexta potenciação, traçando ao sabor do momento e da paixão retas, curvas, e linhas senoidais nos jardins da quarta dimensão.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exetas do Universo Finito.


Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.

E, enfim, resolveram se casar, constituir um lar. Mais que um lar, uma perpendicular. 


Convidaram os padrinhos o Poliedro e a Bissetriz.

E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro, sonhando com uma felicidade integral e diferencial.


E se casaram e tiveram uma secante e três cones engraçadinhos.

E foram felizes até aquele dia em que tudo, afinal, vira monotonia.

Foi quando surgiu o Máximo Divisor Comum, frequentador de círculos concêntricos, viciosos.


Ofereceu-lhe, a ela, uma grandeza absoluta, e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade.


Era o triângulo, tanto chamado amoroso.

Desse problema ela era uma fração, a mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade e tudo que era espúrio passou a ser moralidade como, aliás, em qualquer sociedade.


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